Terça-feira - Manaus - 12 de novembro de 2019 - 22:37

MANAUS-AM

Adolescente é impedida de permanecer em sala de aula por estar com a filha no colo

Vídeo que circula nas redes sociais mostra um dos coordenadores da escola tentando expulsar a adolescente de 16 anos.

SIGRID AVELINO

Publicado em 8 de novembro - 12:30

O caso aconteceu na quinta-feira, 07/11.

Foto: Divulgação

Um vídeo em que uma estudante de 16 anos aparece sendo impedida de assistir aula, por estar  com a filha de colo, em uma escola pública de Manaus, está circulando nas redes sociais. Nas imagens, um dos coordenadores da escola aparece expulsando a aluna da sala de aula com a criança de colo.

O caso aconteceu na manhã desta quinta-feira, 07/11, na Escola Estadual Vasco Vasques, no bairro Jorge Teixeira, na zona leste. A aluna A.V.M.S, de 16 anos, que é mãe de uma menina de 10 meses disse que levou a filha para aula, porque não conseguiu deixar a criança com a avó materna. 

“Minha mãe precisou ir para a reunião do meu irmão, por isso não ficou com minha filha, mas depois passaria para buscar. Minha bebê não ia ficar a manhã toda comigo na escola”, explicou.

Segundo a estudante, ela conseguiu entrar na escola sem nenhum problema. Já na sala de aula, o porteiro pediu para que ela deixasse o local. Após a recusa da aluna, o coordenador interviu. 

“Depois de alguns minutos de eu ter entrado na sala foi que veio o coordenador Vagner, dizendo para eu sair, porque eu não podia ficar com minha filha e que enquanto eu não saísse nenhum professor entraria. Ainda tentei me explicar”, relatou a estudante.

No vídeo, aparece o coordenador citado. Visivelmente alterado, ele pede que a aluna deixe a sala. “Você aguarda lá no banco, sentadinha lá. O professor não pode ir para sala enquanto você não sair. É determinação da Seduc”, disse o coordenador no vídeo divulgado.

Uma amiga que presenciou o fato disse que o coordenador impediu ainda que professores dessem aula; "O Vagner não deixou os professores darem aula. A criança super calma, em nenhum momento ficou alterada, em nenhum momento chorou, nem nada, ele que queria fazer confusão mesmo", informou a estudante J.S., de 16 anos.

De acordo com as alunas, apenas uma professora de sociologia aceitou dar aula e conseguiu ministrar o conteúdo do dia. A estudante informou que às 09h, a mãe  dela chegou na escola para pegar o bebê e foi alertada pela direção de que é proibido levar crianças para sala de aula.

Outros casos

O Toda Hora apurou que este não é o primeiro caso de mães que são impedidas de levarem os filhos para a Escola Vasco Vasques. Em 2018, uma outra estudante passou pelo mesmo constrangimento. Na época a aluna D.V.F. tinha 15 anos e levou o filho de 8 meses para a escola porque não tinha com quem deixar a criança.

“Passei pelo primeiro e segundo tempo, os professores “de boa” na sala não falaram nada. Quando chegou na hora da merenda que ela (a diretora) viu. Ela falou que era pra eu “sair fora”, porque eu estava com uma criança que corria risco e que não era para eu ficar lá dentro (da escola)", informou a mãe.

Segundo a adolescente, a situação ocorreu em um dia de prova. “Eu não iria levar meu filho para a escola se não fosse um motivo sério. Os professores ficaram indignados com o que ela falou pra mim. Ela foi muito grosseira”, acrescentou a estudante.

Nota Seduc

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) informou que tomou conhecimento do ocorrido e que vai acionar a equipe pedagógica para tomar as devidas providências. 

A secretaria afirma que não existe determinação para que seja negado o acesso à educação a qualquer estudante da rede pública estadual, seja ela mãe, ou não. “A atitude não condiz com a boa prática pedagógica estimulada pela secretaria para evitar a evasão dos estudantes”, informou a nota.

A Seduc ressaltou, ainda, que junto à gestão da escola vai apurar o ocorrido para buscar uma solução com o intuito de garantir a presença da aluna em sala de aula.

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