Terça-feira - Manaus - 12 de novembro de 2019 - 23:10

MANAUS-AM

Associação inicia pesca comercial anual de pirarucu na Ilha da Paciência

A pesca do pirarucu Manejo Sustentável na Ilha da Paciência foi o primeiro manejo em área de várzea do Brasil. A pesca é feita uma vez ao ano e a venda acontece em Iranduba a um preço bem acessível

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 8 de novembro - 10:55

Desde 2017, a comunidade se beneficia da venda do pirarucu

Foto: Divulgação

Até o dia 15 de novembro, a Associação Comunitária Bebé Amaro, localizada na Ilha da Paciência em Iranduba, faz a pesca comercial do Manejo Sustentável do Pirarucu, que conta com cooperação técnica-científica e ambiental do Instituto Piatam.

Desde 2017, a comunidade se beneficia da venda do pirarucu, que ocorre todo mês de novembro e é comercializado no município de Iranduba. De acordo com o presidente da Associação Comunitária Bebé Amaro, Manoel Cardoso, a venda do pirarucu funciona como uma renda extra. “Quando começamos, a ideia era tomar providências quanto à pesca predatória, pois o peixe estava cada vez mais escasso. No entanto, o manejo deu tão certo que começamos, desde 2017, a fazer uma vez ao ano a venda. Então, além de tirar o sustento para nossa família, nós também conseguimos fazer uma renda”.

Para saber o quanto pode ser vendido por ano é feito um planejamento. Manoel explica que primeiro é feito um zoneamento da área e depois monta um sistema de vigilância para evitar a pesca predatória. “Para sabermos a quantidade de pirarucu a ser vendida, é feito o levantamento de estocagem, que é a contagem do pirarucu no lago. Depois disso, fazemos o monitoramento desses peixes e com a capacidade produtiva em mãos, fazemos a pesca e comercializamos”.

Para Iran Prestes, que dentro do Projeto é tratador de peixe, o apoio do Instituto Piatam é fundamental.  “Esse projeto só é possível porque o Piatam fornece todo o material e apoio que precisamos e nos ajudam com estudo e pesquisa de manejo na nossa comunidade”.

A participação das mulheres também é um diferencial no Projeto. Há dois anos, elas foram inseridas no processo e ajudam no preenchimento da ficha de monitoramento comunitário do pirarucu, nas atividades de pesagem, contagem e no tratamento para o destino fim até a comercialização. Com as sobras das escamas e barbatanas são feitos artesanatos. “Hoje eu me sinto realizada por participar de todo o processo. Isso mostra que as mulheres estão chegando em todos os lugares”, explica Maria Cristina Souza, secretária do Projeto.

A atividade de contar pirarucu é algo que ainda chama muita atenção e é parte fundamental para o manejo, pois fornece a base de dados para o estabelecimento das cotas de pesca a cada ano. A contagem de pirarucu nada mais é do que a estimativa do número de pirarucus em um lago, feita “no olho”, graças à habilidade dos pescadores, que ficam posicionados à margem do lago ou em cima de canoas e anotam quantos pirarucus emergem à superfície da água para respirar, em períodos de 20 minutos. A Associação conta com dois pescadores certificados pelo Instituto Mamirauá em contagem de pirarucu.

Para que as pessoas entendam um pouco mais sobre essa atividade, a Associação estará ministrando um curso de contagem de pirarucu no estande do Instituto Piatam durante a Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), que acontece no período de 27 a 29 de novembro.