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Cidades amazônicas formalizam pacto em prol do desenvolvimento sustentável

O próximo encontro entre as cidades amazônicas acontece em maio de 2020, em Porto Velho, por conta do Amazônia +21

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 7 de setembro - 09:33

O pacto foi o resultado de uma discussão entre prefeitos e representantes de 775 municípios que compõem a Amazônia Legal Brasileira

Foto: Semcom

“Sempre que a Amazônia for discutida será repercutida no mundo inteiro”, enfatizou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, ao fazer a leitura do Pacto das Cidades Amazônicas, documento final do 1º Fórum de Cidades Amazônicas, realizado nesta quinta e sexta-feira, dias 5 e 6/9, no Pavilhão Princesa Isabel, no Complexo Armazém XV do Porto de Manaus, Centro.

O pacto foi o resultado de uma discussão entre prefeitos e representantes de 775 municípios que compõem a Amazônia Legal Brasileira, concentrando, aproximadamente, 23 milhões de habitantes. O fórum foi promovido pela Prefeitura de Manaus, com a parceria da Fundação Konrad Adenauer e o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade.

“A carta, como um todo, foi um clamor de um povo que quer fazer parte nobre de um país que jamais terá um desenvolvimento nobre se não contar com sua região de maior potencial de desenvolvimento econômico e científico que é a região amazônica”, destacou o prefeito Arthur Virgílio Neto.

Entre as propostas colocadas no documento, os representantes destacam que os municípios amazônicos devem se posicionar como grandes referências em sustentabilidade, desenvolvimento de políticas públicas, harmonizadas com marcos globais, que favoreçam a atuação em rede com governos, setor produtivo, organizações da sociedade civil e parceiros internacionais.

O secretário-executivo do ICLEI, Rodrigo Perpétuo, avaliou o fórum como um encontro histórico entre as cidades amazônicas, que começam a ter sua voz ecoada em grandes encontros nacionais e internacionais que também discutem a importância da preservação e do investimento sustentável

“Além das questões inerentes de desenvolvimento urbano, precisamos pensar como a cidade se relaciona com a floresta, qual o papel adicional do município amazônico na conservação da floresta e como potencializar os ativos ambientais como insumo para geração de emprego e renda”, ressaltou.

Outro ponto do pacto é buscar investimentos para universalizar a oferta de saneamento básico na região e promover a gestão de resíduos sólidos que incentivem o reaproveitamento de materiais, a geração de renda e melhoria da qualidade de vida da população que habita a região.

“Temos que pensar numa Amazônia para pessoas, num desenvolvimento responsável da região e isso, com certeza, as cidades amazônicas podem contar com o apoio da Fundação Konrad Adenauer para continuar promovendo esse diálogo e conectando os atores importantes para essa agenda”, destacou a coordenadora de Projetos da Fundação Konrad Adenauer, Marina Caetano.

O próximo encontro entre as cidades amazônicas acontece em maio de 2020, em Porto Velho, por conta do Amazônia +21.

“A Amazônia começa a conquistar o seu verdadeiro tamanho, seu verdadeiro espaço no concerto brasileiro e ela é reconhecida mundialmente como o principal agente que enfrenta os males do aquecimento global. Nós lançamos uma sementinha com esse fórum e as outras cidades devem seguir o mesmo caminho. Nós queremos formar um consórcio de cidades amazônicas para partilharmos dificuldades e soluções”, concluiu o prefeito de Manaus.

Defesa da Amazônia

Ainda no documento da cidades amazônicas, uma reunião com o presidente da república, Jair Bolsonaro, foi solicitada para que o tema seja discutido em âmbito nacional e internacional.

“Tem que ser uma conversa sincera de todas as partes, uma conversa que se discuta política internacional, relação com o mundo e o futuro do país. A Amazônia é terra Brasil, mas ela é de interesse internacional. Isso é inevitável. Qualquer governante de lucidez mediana é capaz de perceber a importância mundial da Amazônia, que faz dela uma região privilegiada e que causa preocupação, se não houver o necessário entendimento por parte do próprio Brasil”, disse o prefeito Arthur Neto.

Questionado sobre as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, disse que o modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM) é ruim, custa bilhões, que é antieconômico e mal feito, o prefeito Arthur Neto convidou o mesmo para conhecer de perto a realidade da região que está sempre em desenvolvimento.

“Eu tenho respeito e amizade pelo ministro Paulo Guedes, ele tem muito conhecimento de economia, confio na sua capacidade de analisar os fatos econômicos, mas ele precisa fazer uma coisa bem simples que é comprar uma passagem, reunir sua família e passar alguns dias na nossa cidade, na nossa região, na nossa Amazônia. Não é possível falar só por uma teoria elaborada há 500 anos, queria que ele visse a dinâmica do presente na nossa região. Minhas discordâncias inteiras à visão equivocada e atrasada que ele demonstra à minha região e ao desenvolvimento que ela tem tentado fazer para sustentar, só no Amazonas, 4 milhões de pessoas e que também gera empregos em outros estados do país”, defendeu o prefeito Arthur Neto.