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MANAUS-AM

Corpo técnico da Samel inova com cápsula de ventilação para pacientes de Covid-19

Método vem sendo aplicado em pessoas contaminadas pelo coronavírus e vira alternativa à entubação, que é muito mais invasiva

MÁRIO ADOLFO FILHO

Publicado em 4 de abril - 11:40

Cápsula envolve paciente, possibilitando uso de ventilação e aerossol

Foto: Reprodução

Quatro pacientes que estavam no hospital da Samel receberam alta em menos de cinco dias e sequer foram entubadas. A entubação é o procedimento que vem sendo usado em todo o mundo no tratamento de casos extremos de Covid-19, mas o corpo técnico da unidade de saúde privada vem adotando um método alternativo, que consiste na implantação de uma cápsula que envolve a cabeça de quem precisa de maior ventilação. 

"Estamos há seis dias sem entubar ninguém. O ventilador é colocado do lado de fora da cápsula e pela abertura lateral fazemos a instalação da ventilação não invasiva e com o uso de aerossol. Estamos tendo muito sucesso", explicou o diretor-técnico do hospital Samel, médico Daniel Fonseca. "É nossa linha de defesa contra o coronavírus para quem tem dificuldade de respirar",  completa o fisioterapeuta intensivista do Hospital Samel, Elton Rico, que manuseia o equipamento com o também fisioterapeuta Manuel Amorim.

Sem a cápsula, o uso de equipamentos com aerossol não seria possível, pois as gotículas respiratórias e a transmissão por contato próximo são as principais rotas de infecção pelo coronavírus, de acordo com a versão mais recente do plano de diagnóstico e tratamento da Comissão Nacional da Saúde e pela Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa.

A cápsula utilizada na Samel foi desenvolvida juntos aos fisioterapeutas com canos de PVC e plásticos. E se o paciente precisar ser alimentado, não é necessário retirar o equipamento.

O aparelho alternativo de ventilação foi apresentado, em vídeo, ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta sexta, 03/04.

Respirador

O hospital também testou, na noite de sexta-feira, um respirador idealizado por técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem do Amazonas (Senai-AM). “O aparelho está na fase final de testes e prometemos que, até segunda-feira, estará pronto para industrialização”, disse Luís Alberto Nicolau, diretor do hospital Samel, onde os testes estão sendo feitos.