Terça-feira - Manaus - 16 de julho de 2019 - 06:36

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​Decreto de armas divide bancada do Amazonas na Câmara dos Deputados

A votação está prevista para acontecer na próxima semana, em Plenário.

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 21 de junho - 13:58

O texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde será novamente discutido e a expectativa é que aconteça uma batalha de ideologias.

Foto: Divulgação

Thiago Fernando - Da Redação

O decreto das armas gera divisão na bancada do Amazonas na Câmara Federal, em Brasília. A votação está prevista para acontecer na próxima semana, em Plenário. Dos representantes do Estado na casa legislativa, quatro deputados defendem a medida implementada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSC), assinada em maio. Enquanto isso, outros três já anunciaram serem contra a liberação. 

Na última terça-feira, 18/6, o plenário do Senado aprovou por 47 votos a 28, o parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que pede a suspensão dos decretos do presidente Jair Bolsonaro que facilitaram o porte de armas. Vale ressaltar que todos os representantes do Estado – Eduardo Braga (MDB), Plínio Valério (PSDB) e Omar Aziz (PSD) – votaram contra o projeto do Governo Federal.  

Agora, o texto seguirá para a Câmara dos Deputados, onde será novamente discutido e a expectativa é que aconteça uma batalha de ideologias. Essa divisão é muito clara até na bancada amazonense na casa. 

Para os deputados José Ricardo (PT), Marcelo Ramos (PR) e Sidney Leite (PSD) o decreto deve ser, novamente, derrubado por não combater o problema principal: a falha segurança pública.

“Certamente o decreto vai suscitar mais um debate, porque é um assunto muito difícil. Estamos vivendo um momento de grande violência na sociedade. Falta segurança e a população quer isso. Existe a sensação que se tiver mais pessoas armadas, pode melhorar. Não sei se essa é a resposta. Existem estudos que apontam que quanto mais pessoas armadas, mais aumenta a violência. Precisamos insistir que a estrutura de segurança pública precisa ser melhorada com a implementação de mais tecnologias”, disse José Ricardo, que salienta o provável surgimento de milícias caso mais segmentos da sociedade andem armados.

O petista ainda frisa que a solução para melhorar a segurança pública é criar um sistema que englobe vários setores para prevenir a entrada do cidadão no mundo criminal. “Precisamos investir em um projeto que envolva todo mundo, desde o combate as drogas até a recuperação dos presos no sistema carcerário. Não temos que esperar apenas que a polícia vá atrás dos criminosos. Particularmente, sou contrário à legalização das armas. Acredito que devemos fortalecer a segurança pública, que é um direito que está na Constituição”, concluiu.

Para Sidney Leite, será retrocesso armar a população. O deputado já anunciou que votará contra o decreto por não concordar com a população armada.

Na mesma linha de pensamento, Marcelo Ramos acredita ser necessário discutir outros temas mais importantes no momento, como a geração de empregos. Para ele, é necessário armar a população de carteiras de trabalho assinadas. Assim, automaticamente haverá uma diminuição na criminalidade.

“Vamos travar uma guerra”

Para os deputados federais do Amazonas da ala conservadora, será necessário travar uma ‘guerra’ na Câmara para que o decreto possa ser aprovado. O deputado Capitão Alberto Neto (PRB) diz que a decisão do presidente Jair Bolsonaro só fez valer o que a população já havia pedido em 2005, quando o referendo das armas teve a aprovação de 63%.

“Vamos travar uma guerra para aprovar o decreto, porque ele apenas regulamenta o estatuto do desarmamento que deixa uma brecha. Os requisitos para o porte permanecem rigorosos. O presidente está cumprindo a promessa de campanha e fazendo a vontade do povo. A nação brasileira quer isso. Em 2005, houve um referendo que mostrou a vontade da população. O povo esta desapontado com o Senado. A lei precisa mudar para modernizar. Enquanto não modernizamos, o decreto serve para isso. O cidadão de bem vai passar por esses requisitos para conseguir se defender”, disse Alberto Neto.

Já para o deputado Delegado Pablo (PSL), o decreto foi reprovado no Senado, porque faltou uma análise do assunto. “Vamos rever pontos aqui na Câmara. A revisão do decreto é um anseio dos brasileiros e uma medida de Justiça em respeito ao Referendo Popular de 2005”.

O Ex-vice-governador do Amazonas e ex-secretário de Segurança Pública do Amazonas, o deputado Bosco Saraiva (SD) frisou que o desarmamento da população é uma estratégia utilizada em países comunistas e que é a favor do decreto nos moldes que foi apresentado por Bolsonaro.

A equipe do TODA HORA tentou entrar em contato com o deputado federal Átila Lins (PP), que não respondeu a demanda.