Quarta-feira - Manaus - 12 de agosto de 2020 - 08:12

MANAUS-AM

Deputado aponta suspeita de superfaturamento na compra de ares-condicionados

Aparelhos serão adquiridos para o hospital João Lúcio. 

SIGRID AVELINO

Publicado em 7 de julho - 13:38

Os preços dos ares-condicionados são considerados pelo parlamentar superfaturados, se comparados com valores praticados nas lojas da capital.

Foto: Divulgação

O deputado Dermilson Chagas (Podemos) apontou suspeita de superfaturamento na reforma do Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona leste de Manaus. Ele usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) desta terça-feira, 07/07, para divulgar uma planilha da Secretaria de Infraestrutura e Região Metropolitana de Manaus (Seinfra). com preços de itens da reforma do hospital contratados com dispensa de licitação. Na lista, os preços dos ares-condicionados são considerados pelo parlamentar superfaturados, se comparados com valores praticados nas lojas da capital.

A reforma do Hospital João Lúcio, unidade de saúde que é referência em neurologia e politraumatismo no Amazonas, está orçada em R$ 15 milhões, segundo o governo do Amazonas, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) oriundos de uma sobra de recursos do saneamento de igarapés. O prazo de entrega da obra é de 180 dias. A empresa contratada com dispensa de licitação é a RR Construções e Transportes LTDA - EPP.

Dermilson Chagas apresentou três modelos de condicionadores de ar que serão implantados no hospital. Segundo o documento, serão 80 aparelhos do tipo split parede de 12.000 BTUs, cada um por R$ 3.348,69, totalizando, R$ 267.895,20. 

Serão instalados outros 40 ares-condicionados de 24.000 BTUs, por R$ 5.781,50 cada, um total de R$ 231.260,00. Há ainda um terceiro modelo, ar-condicionado split cassete com capacidade de 36.000 BTUs, deste serão 120 aparelhos, no valor de R$ 11.801,48 cada, chegando R$ 1.416.177,60.

Juntos, os 240 ares-condicionados custarão ao Estado o equivalente a R$ 1.915.332,80, sem a instalação dos aparelhos. 

Segundo Dermilson Chagas, os mesmos 240 aparelhos cotados em lojas da capital sairiam por R$ 872.960,00. 

Para o parlamentar, os valores da planilha apontam indícios de superfaturamento, já que apresentam preços com diferença de cerca de 120%, se comparado com o mercado. "Não tem dinheiro que dê para sustentar o governo Wilson. Não tem dinheiro que dê pra sustentar essa cúpula corja que está na Susam", disse.

A instalação dos aparelhos, segundo Dermilson, foi cotado no projeto básico por R$ 605.497,00. 

Outros itens

O deputado ainda questionou o valor da estação de tratamento de esgoto da unidade. "A estação de tratamento de esgoto do Hospital João Lúcio é uma mina de ouro. O Estado licitou por R$ 830 mil. A empresa especializada que nós procuramos junto com informações do Sinduscon dá R$ 218 mil. Sabe quanto é que é o ágio aqui? É de 280%. Ou seja, o governo continua cleptomaníaco", criticou.

Outro item apontado como exagero pelo deputado é a aquisição de 100 quilômetros de cabos elétricos para trocar a fiação do hospital.

"Cem quilômetros de cabos elétricos, sem uma referência, sem um dado qualquer. Ou seja, o governo continua com a sua mania de superfaturar nesse momento de pandemia. Isso aqui são dados, são números" apontou Dermilson. 

Ele ainda acrescentou que o "prédio apesar de ser antigo tem dois transformadores que eles querem trocar de 300 e de 500 Kva isso tem um superfaturamento de 50%. Querem colocar um outro de 1000 Kva, onde o superfaturamento chega a 30%".

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do governo do Amazonas e aguarda posicionamento sobre o assunto.