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DIVERSÃO

Em novo filme, Woody Allen entrega o que sabe fazer de melhor

“Um Dia de Chuva em Nova York” é uma comédia romântica deliciosa, para rir muito – e alto

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 21 de novembro - 09:01

O longa segue a fórmula de Allen

Foto: Divulgação

Viver em um filme do Woody Allen deve ser algo maravilhoso. Ainda mais naqueles em que os personagens não somente moram bem em Nova York, mas são bem relacionados no universo cultural da cidade que nunca dorme. Em “Um Dia de Chuva em Nova York”, novo filme do diretor que finalmente estreia nos cinemas, todos os personagens são lindos e ricos. Eles residem em endereços como a 5ª Avenida, em Manhattan, e passam uma tarde cinzenta em apartamentos luxuosos, festas descoladas, estúdios de cinema e bares de hotéis.

Para eles, tomar uma chuva na metrópole é reparador, afinal, ninguém vai para o trabalho ou precisa encarar o transporte público. A vida é bela e quase perfeita. Assim como são quase perfeitos esses filmes de Allen, que conseguem fazer com que o espectador se esqueça de qualquer problema ou preocupação nas duas horas em que está na sala de cinema. 

“Um Dia de Chuva em Nova York” transporta o público direto para a história sem nem titubear. A empatia com a interiorana Ashleigh (Elle Fanning) é imediata. Ela diverte e, da forma mais ingênua do mundo, faz o espectador gargalhar – sim, este é um filme para rir muito e bem alto. Ashleigh é a namoradinha de faculdade do protagonista Gatsby (Thimothée Chalamet, sempre ótimo), um pobre garoto rico que rejeita a pompa aristocrática de sua família e prefere ser um “outsider”. 

Quando Ashleigh consegue uma entrevista para o jornal da universidade com o diretor de cinema independente Roland Pollard (Liev Schreiber), Gatsby planeja o fim de semana perfeito e romântico em Nova York. A viagem, no entanto, não corre como o planejado, e o casal se divide e segue em direções opostas pela cidade. A ingênua Ashleigh é um tipo raro em uma metrópole e logo chama atenção de todos os homens que cruzam seu caminho, numa sequência de acontecimentos inusitados e inacreditáveis para uma garota do interior. Com sua simplicidade, ela serve como âncora para Pollard, que está em crise antes do lançamento de seu novo filme. 

Enquanto Ashleigh corre atrás de seu furo de reportagem, ela se mete em confusões com um roteirista cujo casamento está em crise e é vivido por Jude Law; e um ator garanhão interpretado por Diego Luna, no maior estilo latin lover. Ashleigh vive situações de comédia pastelão daquelas que Allen sabe fazer tão bem. 

Do outro lado, Gatsby redescobre sua família em situações também hilárias e revê a irmã de uma ex-namorada, a charmosa Chan (Selena Gomez), que é o oposto do que Ashleigh representa. 

Em “Um Dia de Chuva em Nova York”, Allen dilui seu alterego – sempre presente em seus filmes – nos três personagens masculinos, mais acentuadamente em Gatsby, que absorve essa nostalgia de Allen em relação a uma Nova York que não existe mais. 

O longa segue, sim, a fórmula de Allen. É facilmente identificável como um filme do diretor. Pode até ser, como muitos críticos têm dito, mais do mesmo. Porém, nada disso anula o fato de “Um Dia de Chuva em nova York” ser uma comédia romântica deliciosa. Pena que nasceu no meio de uma controvérsia que se tornou maior do que o próprio filme.

TH VIDEO