Domingo - Manaus - 24 de janeiro de 2021 - 20:12

MANAUS-AM

Fronteira fechada provoca crise política entre Amazonas e Pará

Políticos criticam a decisão do Governo do Pará de proibir a entrada de amazonenses no estado vizinho.

SIGRID AVELINO

Publicado em 14 de janeiro - 11:25

Prefeito criticou a falta de sensibilidade do Governo do Pará

Foto: Semcom

A proibição da circulação de embarcações de passageiros do Amazonas para o estado do Pará vem causando polêmica após decreto do governador Helder Barbalho. A medida começou a valer a partir desta quinta-feira, 14/01, de acordo com decreto publicado no Diário Oficial do Estado (DOE). No Amazonas políticos dividem opiniões.

O governador Helder Barbalho informou, por meio das redes sociais, que a medida busca frear o avanço da pandemia. “Esta é uma medida preventiva e fundamental para que possamos evitar a ampliação do contágio dentro do Pará e consequentemente os problemas de saúde em face da pandemia do coronavírus”, explicou Helder Barbalho.

A barreira que bloqueia a entrada de barcos do Amazonas no Pará será instalada em Juruti, que faz divisa com Parintins

O anúncio vem no momento em que o número de sepultamentos em Manaus cresceu 193% em um mês em meio à explosão do número de infectados pelo coronavírus no Amazonas.

Opiniões contrárias 

Assim que o decreto foi divulgado, ainda na noite desta quarta-feira, 13/01, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) se posicionou e criticou a decisão do governo paraense. “Eu não sou governador do Amazonas, eu sou o prefeito de Manaus, porém, se fosse o governador aplicava o princípio da reciprocidade com relação a atitude do governador do Pará. Até porque muitos dos pacientes que nós atendemos nas nossas unidades de saúde de Manaus e também na cidade de Parintins, que faz divisa com o interior do Pará, eles são pacientes vindos do estado do Pará”, ressaltou David Almeida lamentando a proibição.

O senador Plínio Valério também foi contra a decisão do governador Helder Barbalho. “Eu acho lamentável, até porque ele está discriminando, mostrando um ato discriminatório e prejudicando aqueles irmãos ou aquelas irmãs paraenses que saem do interior para vir a Manaus se tratar. Muitos paraenses vêm se tratar aqui, principalmente, na ortopedia. Eu acho uma medida desnecessária”, pontuou Plínio.

O deputado estadual presidente eleito da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) Roberto Cidade (PV), que também é presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Mobilidade, lamentou a barreira que bloqueará o acesso do Amazonas ao Pará. “O Amazonas desde muito tempo, sempre esteve de portas abertas para ajudar o Pará. E fechar as portas num momento em que o Amazonas precisa de ajuda para conter o coronavírus é negar qualquer tipo de ajuda aos amazonenses. Além de lamentável, é vergonhoso”, criticou Cidade. 

Roraima anunciou que vai instalar barreiras sanitárias em Rorainópolis, na divisa com o Amazonas, e no Aeroporto Internacional de Boa Vista

Cautela

Polêmicas à parte, o deputado federal Marcelo Ramos (PL), vai contra a retaliação do governo paraense e pede cautela em um momento delicado para a saúde pública.

“A gente tem que cuidar desse tema com muito cuidado. Isso não é uma questão política, isso é uma questão de saúde pública. Talvez se o Pará tivesse estourado de casos de Covid como a gente tá, talvez a gente tivesse que fechar os nossos portos, não por nenhuma retaliação, por nenhuma birra com o povo do Pará, mas para proteger a nossa população. Eu prefiro tratar isso como uma questão de saúde pública e com diálogo”, ponderou Ramos.

Marcelo Ramos ainda lembrou que no próprio Amazonas, um decreto estadual também proíbe a circulação de embarcações entre Manaus e os municípios. “Nós fechamos os nossos portos” destacou o deputado federal. 

Mais barreiras

Na terça-feira, 12/01, o governo de Roraima anunciou que vai instalar barreiras sanitárias em Rorainópolis, na divisa com o Amazonas, e no Aeroporto Internacional de Boa Vista. As barreiras começam a funcionar nesta semana, e só deverão ser desativadas quando o quadro da pandemia no Amazonas amenizar.