Quinta-feira - Manaus - 18 de abril de 2019 - 12:40

MANAUS-AM

Estado aperta cerco e fiscaliza flutuantes que têm interações com botos em Manaus

O monitoramento da atividade de interação com os botos é necessário para que os proprietários dos flutuantes cumpram as normas estabelecidas

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 6 de abril - 08:32

O MPF é contra a atividade e que turistas tenham contato direto com os animais, especialmente mediante pagamento

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Cinco flutuantes que oferecem interação com botos receberam visita de equipes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O objetivo é regularizar e fiscalizar a atividade na região do Baixo Rio Negro.

De acordo com a assessora técnica do Departamento de Mudanças Climáticas e Gestão de Unidades de Conservação (Demuc) da Sema, Caroline Yoshida, foram visitados flutuantes localizados dentro de Unidades de Conservação estaduais.

“Sabemos que este é um dos principais atrativos turísticos do estado do Amazonas, então é importante sensibilizar tanto os flutuantes quanto os visitantes. O boto é um animal que se encontra ameaçado de extinção, portanto é necessário que todos se ajustem à regulamentação existente para minimizar o impacto causado pela atividade”, explicou.

O monitoramento da atividade de interação com os botos é necessário para que os proprietários dos flutuantes cumpram as normas estabelecidas na Resolução nº 28 do Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMAAM), de 22 de janeiro de 2018, que determina diretrizes e procedimentos para o exercício da atividade.

Entre os principais desafios, está o controle no número de pessoas que visitam os flutuantes diariamente. A resolução permite a participação diária de, no máximo, oito grupos, totalizando 80 turistas. No entanto, segundo a Amazonastur, a massificação da atividade faz com que lanchas desembarquem com 80 a 100 turistas de uma única vez nos flutuantes. As novas gestões da Sema e Amazonastur reforçarão o acompanhamento da atividade com ações de orientação para avançar no aperfeiçoamento do atrativo. 

MPF

Recentemente, o Ministério Público Federal) recomendou às empresas de turismo e hotelarias do Amazonas que regularizem, junto aos órgãos ambientais competentes, os cativeiros de animais silvestres que possuam, no prazo de 30 dias, e que não permitam que turistas tenham contato direto com os animais, especialmente mediante pagamento.

Apuração do MPF identificou que há registros fotográficos de turistas manipulando animais silvestres no Parque Ecológico Janauri, localizado no Rio Negro. As agências de turismo se beneficiam da atividade ao oferecer o contato com os animais para os visitantes, colocando-os em risco e causando a retirada dos animais silvestres de seus habitats naturais e maus-tratos. O MPF identificou que grande parte dos turistas condena esta prática, chegando inclusive a formular denúncias ao Ibama.

A utilização de animais silvestres em atividades turísticas pode configurar o crime previsto no artigo 29 da Lei nº 9.605/98. Para o MPF, apesar de algumas fiscalizações já realizadas pelos órgãos ambientais, a questão deve ser tratada por meio de ações multi-institucionais. O turismo na região, segundo o órgão, deve valorizar a fauna, com observação de aves, turismo científico, programas de conservação e áreas de soltura conservacionista, sendo sempre uma atividade respeitosa com os animais.

VEJA COMO É A PRÁTICA:

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