Domingo - Manaus - 8 de dezembro de 2019 - 02:37

MANAUS-AM

Guerra entre FDN e Comando Vermelho toma ruas de Manaus

 Logo após as mortes nos presídios, foi emitido pela facção Família do Norte (FDN) um ‘salve’, dizendo que integrantes de grupos rivais seriam exterminados.

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 20 de julho - 08:16

Luta por pontos de tráfico vem deixando a população com medo, principalmente, na periferia da cidade

Arte: Victor Costa

Levantamento feito pelo Toda Hora identificou que após as 55 mortes em unidade prisionais de Manaus, registradas nos dias 26 e 27 de maio, ao menos, outras 60 pessoas foram assassinadas até o último dia 17 deste mês. Uma das suspeitas da polícia, é de que a maioria desses crimes estejam relacionadas à guerra entre as facções criminosas, que nas últimas semanas se concentrou nas zonas Norte, Leste e Sul.

Logo após as mortes nos presídios, foi emitido pela facção Família do Norte (FDN) um ‘salve’, dizendo que integrantes de grupos rivais seriam exterminados. Em decorrência dessa briga, os criminosos passaram a pichar em muros em Manaus com siglas da FDN e L7. A Secretaria de Segurança não nega a guerra declarada entre os criminosos e diz que já prendeu 67 integrantes e farto armamento nas últimas semanas.

No último dia 10, a mulher de João Branco, Sheila Maria Faustino Peres, foi presa pela Polícia Federal (PF) no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, ao tentar embarcar para Barcelona, na Espanha. 

De acordo com investigações da Polícia Civil (PC) Sheila é suspeita de servir como emissária das ordens do marido para as mortes do presídio e também do lado de fora. A defesa da cabeleireira nega envolvimento dela nesses crimes. A prisão de Sheila também tem deixado o clima tenso nas ruas.

Confrontos

Os primeiros confrontos ocorreram na zona Norte, mais precisamente nas invasões Monte Horebe e dos Índios, localizadas entre os residenciais Viver Melhor 1 e 2, no Lago Azul e Santa Etelvina e no bairro Nova Cidade. Na localidade ao menos quatro homens foram mortos. Além disso, grupos desfilavam armados durante o dia e a noite para fazer ‘defesa’ das bocas de fumo.

Os confrontos nas invasões, que ainda não cessaram, passaram a ser registrados também na zona Leste, no bairro Mauazinho. Somente em uma noite, 11 de julho, após um ataque da FDN, que tentava tomar o domínio do tráfico do Comando Vermelho (CV) três pessoas, que estavam próximas a um campo de futebol, foram mortas. Outras seis pessoas foram feridas.

Ao mesmo tempo em que a guerra ocorre no Mauazinho, local de domínio de João  Pinto Carioca, o ‘João Branco, também foi registrada na zona Sul, entre os bairros Morro da Liberdade, Betânia, Raiz e Petrópolis, uma disputa ainda mais acentuada, que desde do último dia 11, teve como saldo, seis mortos e ao menos 12 feridos.

Somente no dia 15, houve um ataque de integrantes da FDN na Avenida Leopoldo Peres, no Prosamim do cajual, no Santa Luzia, dois homens foram baleados por um grupo, que foi preso logo depois por policiais da Força Tática. Com eles foram apreendidos quatro armas.  

Na noite desta quinta-feira, 18/7, foi registrado um novo homicídio, na Avenida Real, no Mauazinho, que teve como vítima, segundo a Polícia Militar (PM) Ailton Costa dos Santos, 24. O homem foi morto com cerca de 11 tiros. Os suspeitos pela morte não foram identificados.

Polícia tenta ‘estancar’ sangria

Na manhã desta sexta-feira, 19/7, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que diante do conflito entre grupos criminosos as atuações das policiais Civil (PC) e Militar (PF) em Manaus foram intensificadas. De acordo com a SSP, desde o último final de semana, até quinta-feira, 18/7, um total de 20 armas foram retiradas de circulação e 67 pessoas presas.

O secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates, afirmou que os policiais estão nas ruas para “dar um basta aos chamados bondes” e determinou firmeza no combate aos grupos criminosos. “Aproveito para agradecer à população que tem ligado para os números da Rocam, Força Tática, 181 e 190. Isto tem nos ajudado a combater a criminalidade”, afirmou Bonates.

As prisões em flagrante ocorreram em diversos bairros da capital amazonense e os detidos integravam facções criminosas que se preparavam para atacar rivais. Com esses presos foram apreendidos revólveres, pistolas e até um lançador de granada.

Mortes no presídios

As mortes nos presídios começaram no dia 26 de maio, quando 15 detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) foram mortos. No dia seguinte (27), outros 40 presidiários também foram assassinados na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat) e Centro de Detenção Provisória Masculino 1 (CDPM).

Uma força-tarefa criada pela SSP, que é conduzida pela Polícia Civil (PC) investiga se essas mortes são resultado de um racha entre os dois últimos lideres da FDN, José Roberto Fernandes Barbosa, o ‘Zé Roberto’, e João Branco. Após essa briga, a guerra passou a ficar mais intensa em Manaus.