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MANAUS-AM

Médico filmado agredindo parturiente em Manaus é autorizado a voltar ao trabalho

De acordo com despacho, Armando Andrade Araujo não teve o princípio constitucional da ampla defesa

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 15 de março - 12:30

O juiz ainda deu 15 dias de prazo para que o médico apresente a sua defesa

FOTO: DIVULGAÇÃO

O ginecologista Armando Andrade Araujo, que aparece em vídeo agredindo uma parturiente na Maternidade Balbina Mestrinho, notícia que teve repercussão nacional, foi autorizado pela Justiça a voltar ao trabalho.  A decisão é do juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 6ª  Vara Cívil e de Acidentes de Trabalho, em despacho expedido na quarta-feira, 13/03.

De acordo com a decisão, Armando "sofreu penalidade sem ter sido assegurado o princípio constitucional da ampla defesa e contraditório, vez que a diretoria resolveu suspender Armando de seus plantões "ex-oficio" e "em caráter liminar e excepcional", ao passo que o regimento interno não prevê esse tipo de decisão".

O juiz ainda deu 15 dias de prazo para que o médico apresente a sua defesa. Em virtude disso, o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Amazonas (Igoam) assinalou que decidiu suspender o afastamento do médico até que a Justiça apure o caso. Enquanto isso, ele pode voltar a trabalhar normalmente. 

A representante da ONG Humaniza, Rachel Geber, disse que ficou surpresa com a decisão, pois acreditava que o médico ficaria suspenso das atividades.  "Vamos ao Ministério Público Estadual, o Ministério Público Federal, Comitê de Violência Obstétrica e Defensoria Pública do Amazonas para saber o que fazer", afirmou.

O caso

Nas imagens que circularam no Facebook em fevereiro, a jovem aparece deitada em posição ginecológica e parece exausta. O médico, sentado à frente da parturiente, pede que ela "desça ainda mais", para ficar mais acessível a ele. Ela reclama de cãibra na perna, chora de dor e pede ajuda. Uma enfermeira se aproxima para fazer massagem na perna da adolescente e, nesse momento, uma outra mulher aparece no vídeo dizendo que a grávida não tem condições de fazer parto normal e pede que o médico a leve para o centro cirúrgico.

"Pode chamar quem for. Eles vão ver que ela não ajuda". A mulher insiste: "Ela está em trabalho o dia todo, doutor". E ele responde: "Pode chamar!". Nesse momento, o médico bate nas virilhas da parturiente, com as duas mãos espalmadas. E ela grita de dor. 

À época, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas havia informado que não estava de acordo com a conduta praticada pelo médico.

CONFIRA AS IMAGENS:

TH VIDEO