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MANAUS-AM

Manaus recebeu 15 mil refugiados da Venezuela em um ano

A cidade já está com a capacidade saturada e muitos venezuelanos pedem empregos nas ruas

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 9 de fevereiro - 09:44

Mais de 100 venezuelanos chegam a Manaus diariamente

Fotos: Tadeu Júnior

Pedroso de Jesus

Estima-se que cerca de 15 mil venezuelanos desembarcaram em Manaus durante o ano passado, segundo o chefe do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Sebastian Roa. A cidade já está com a capacidade saturada e os efeitos começam a ser percebidos.

Desde 2014 a Venezuela enfrente forte recessão. Além da crise econômica, o país passa por uma crise política que se agravou nos últimos dias. No dia 23/01, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, deputado Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino do país, mesmo com o presidente Nicolás Maduro ainda no poder.

A estimativa de 15 mil é baseada nos números da Polícia Federal (PF) e no desembarque de refugiados que já chegam ao Amazonas legalizados. “A PF no Amazonas recebeu 10,5 mil pedidos de refúgios para venezuelanos em 2017, mas muitos chegam no Amazonas com o pedido de refúgio concedido em Roraima, muitos chegam documentados”, explicou Sebastian.

Ele disse, ainda, que pouco mais de 100 venezuelanos chegam a Manaus diariamente. É ainda mais impactante quando se compara o número dos pedidos de refúgio em 2017 para 2018. O aumento foi de mais de 300%. Foram apenas 2,5 mil pedidos de refúgio em 2017 e 10,5 mil no ano seguinte. “Eles vêm em busca de melhores condições de vida, estão em uma situação vulnerável e têm Manaus como referência de acolhimento”.

Na cidade, os venezuelanos estão em diversos bairros. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), são, pelo menos, 550 venezuelanos residindo em três abrigos atualmente administrados pelo município.

Há outros abrigos da sociedade civil localizados nos bairros de Santo Antônio, na zona Oeste; Adrianópolis, São Geraldo e conjunto Shangrilá na zona Centro-Sul. Alguns estão acampados na Rodoviária de Manaus e debaixo de viadutos nas proximidades. Parte, se recusa ir para abrigos.

Atualmente, nas comunidades Monte Horebe I e II, na zona Norte, há cerca de 250 venezuelanos, segundo estimativa da Secretaria de Política Fundiária (SPF). A secretária está fazendo o levantamento de venezuelanos, índios e outras pessoas que vivem por lá para fazer regularização fundiária.

Tem chamado atenção pessoas em semáforos com cartazes afirmando que são venezuelanos e precisam de emprego ou ajuda. “Não temos como julgar se são, ou não venezuelanos. Temos um banco de dados seguro para o próprio venezuelano e para o empregador. Muitos refugiados têm formação de nível superior” Sebastian.

Refugiados e empregadores interessados, podem procurar o Serviço Jesuíta Para Migrantes e Refugiados, na avenida Joaquim Nabuco, 1023, Centro, de 8h às 14h, de segunda a sexta-feira.

“Temos muitos parceiros para empregabilidade e há gama de oportunidades. No semáforo, muitos têm uma necessidade e precisam de um retorno imediato”, disse Sebastian.

Venezuelanos pedem ajuda nas ruas da cidade

Grupo faz banco de dados para ajudar venezuelanos a encontrarem emprego

Pedreiros, enfermeiros, mecânicos e soldadores. Profissionais para muitos invisíveis em um dos cruzamentos da Avenida das Torres em Manaus, mas que foram notados pelo fotógrafo Tadeu Junior.

Depois do registro, por meio da fotografia, desses venezuelanos com cartazes pedindo emprego, surgiu a ideia de criar um banco de dados que pode servir a quem tiver interesse em contrata-los.

“Eu costumo dizer que são pessoas invisíveis para quem passa por lá todos os dias apressado para o trabalho ou para outro compromisso. São invisíveis apenas para uma parte da sociedade”, disse o Tadeu.

Uma amiga dele, a odontóloga Fabíola Chui, ao ver as fotos no perfil de Tadeu no Instagram (@eu.tadeu) entrou e contato para dizer que ela queria fazer um banco de dados para ajudar esse profissionais a encontrarem um lugar no mercado de trabalho.

“Estamos pegando o nome, telefone, perguntando o que eles faziam no país de origem e o que eles estão dispostos a fazer aqui no Brasil”, contou. Muitas vezes com formação de nível superior, estão aceitando qualquer forma digna de trabalho.

“Se for para lavar pratos, sem problemas. Tem quem se dispõe. Muitos querem chamar para trabalhar, mas oferecem condições praticamente de maus-tratos, exploração mesmo”, contou.

Quando o banco de dados estiver pronto, as informações serão disponibilizadas nas redes sociais. Segundo Tadeu, Fabíola e ele pretendem deixar essas informações disponíveis em uma plataforma, mas essa alternativa ainda é estudada.

Cadastro de refugiados será colocado na internet por grupo voluntário