Quinta-feira - Manaus - 2 de julho de 2020 - 05:34

MANAUS-AM

Plano de retomada no Amazonas é criticados por prefeito, MPAM e pesquisadores

A Procuradora-Geral de Justiça considera muito precoce retomar as atividades ainda em meio à quantidade de casos

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 28 de mai - 07:49

Atividades comerciais retornam já no dia 1 de junho

Foto: Mário Oliveira/ Semcom

A reabertura do comércio e de outros segmentos, divulgada pelo Governo do Amazonas, não está sendo bem aceita por muitas autoridades e até mesmo por estudiosos das universidades. Na opinião de muitas autoridades, os números de infectados e de mortes ainda apontam um risco epidemiológico presente no nosso Estado, sobretudo no interior.

O primeiro a se manifestar contra foi o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Para ele, seria preciso mais cautela nessa reabertura, porque apesar da redução de sepultamentos na capital, o número de casos continua subindo. “Temo por uma segunda onda, um segundo pico, que pode ser ainda mais grave”, alertou.

Arthur também destacou que Manaus foi uma das cidades brasileiras onde a população não aderiu ao isolamento social e que a reabertura, na verdade, já estava acontecendo antes de se oficializar quaisquer medidas.

A procuradora-geral de justiça Leda Mara Nascimento afirmou aos presentes que o Ministério Público do Amazonas (MPAM) vê com preocupação essa retomada das atividades não essenciais, embora reconheça a importância da volta do funcionamento do comércio, da indústria, para o desenvolvimento social e econômico do Estado. “Mas é preciso que se reconheça a vida como bem superior a ser tutelado”, ressaltou Leda Albuquerque.

Técnicos

Somam-se aos discursos do prefeito e da procuradora, estudiosos e técnicos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Quando a curva atinge a velocidade máxima, espera-se que aconteça a desaceleração do número de casos. Estamos vendo o número de casos aumentar. Quando se chega neste momento não devemos pensar em diminuir as medidas de isolamento”, afirma o professor Henrique Pereira, da Ufam, que coordena o Atlas ODS Amazonas, analisando números da pandemia.

Em nota enviada ao MPAM, tanto Ufam como UEA e Fiocruz assinalam que o número de óbitos ainda preocupa, mesmo com a queda do índice. Para eles, é algo que deveria ser sopesado no momento em que uma decisão de reabertura foi tomada.

“Eu nunca tinha visto uma pandemia desta magnitude. E ainda estamos desarmados para enfrentá-la. A única arma que temos é o isolamento. Não há alternativa. Já vi tantos amigos morrerem, então levem isso muito a sério. Fiquem em casa “, diz o médico infectologista do Instituto de Medicina Tropical (IMT), Marcos Barros.