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MUNDO

Oposição venezuelana quer ajuda de países vizinhos para resolver apagão

Juan Andrés Mejía relata conversas com empresas e governos fora da Venezuela para superar falta de energia no país

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 13 de março - 10:20

Presidente autoproclamado esteve no Brasil recentemente

Foto: AFP

O deputado Juan Andrés Mejía, 33, coordenador do Plan País, grupo que desenha as estratégias da Assembleia Nacional, disse à reportagem que a oposição venezuelana pediu ajuda fora do país para reestabelecer a energia em todo o território.

"Já conversamos com empresas privadas de países vizinhos, com governos e com o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], mas nosso poder sempre será limitado enquanto o ditador Nicolás Maduro estiver usurpando o cargo", disse, por telefone, nesta terça-feira (12).

Mejía, que também é responsável por traçar os movimentos de Juan Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela, conta que não há retrocessos nem mudança de planos nas estratégias do bloco que Guaidó lidera.

"Tudo está mais difícil nos últimos dias pela simples razão de que se complicaram as comunicações entre nós, o transporte, as operações de logística para organizar e convocar os protestos, mas não iremos desistir."

Ele conta que, além das prioridades que já tinham, a oposição vem tentando dar assistência e repercussão para os que estão sofrendo os efeitos do apagão elétrico, como pessoas internadas em hospitais, por exemplo.

"Já tivemos mais de 30 mortes em todo o país causadas pela falência do sistema elétrico, isso não pode continuar nem mais um dia."

O deputado acrescentou que considera necessário deixar claro que a falta de energia "está diretamente relacionada à corrupção e à falência do regime".

Indagado sobre reportagem do jornal norte-americano The New York Times que mostrou que o incêndio de um dos caminhões que levavam ajuda humanitária teria sido causado por apoiadores da oposição, Mejía disse: "A única coisa relevante sobre esse dia é que o regime de Maduro não deixou entrar a ajuda humanitária".

"Agora, em atos como este, sempre há um espaço em que predomina a anarquia, e indivíduos isolados podem ter causado isso. Nunca foi nossa intenção, nós queríamos entrar junto com a ajuda humanitária que o país tanto precisa."

Mejía considera a prisão do jornalista Luis Carlos Díaz "um ato de enorme gravidade, justamente quando estão no país representantes do escritório do alto comissariados das Nações Unidas para direitos humanos para verificar violações na Venezuela.

"Isso demonstra que o regime não se importa em nada com o que pensa o resto do mundo, o que nos deixa ainda mais preocupados sobre o que são capazes de fazer com sua própria população."

Sobre os próximos passos, Mejía afirmou que não há mudança de planos devido às mais recentes dificuldades e que a intenção é a de "aumentar a pressão e buscar mais apoios internacionais".

"Com o passar do tempo, temos o temor de virarmos um fator político usado dentro dos países para disputas eleitorais. Nós só aceitamos e continuaremos aceitando ajudas que sejam expressões que representem a vontade da maioria das forças políticas, como é o caso dos EUA, em que republicanos e democratas nos apoiam."