Terça-feira - Manaus - 1 de dezembro de 2020 - 06:58

MANAUS-AM

PF identifica organizações criminosas por trás de candidatos

De acordo com a Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) os criminosos, além de dinheiro chegaram a oferecer cachaça e drogas em troca de votos. Os envolvidos, inclusive políticos, estão sendo investigados. 

CARLA ALBUQUERQUE

Publicado em 19 de novembro - 15:00

Do total, 23 são alvos de inquéritos, réus na Justiça ou condenados

Foto: Divulgação

Durante as eleições de domingo, 15/11, a Polícia Federal (PF) atestou que integrantes do crime organizado tentaram, por meio da compra de votos, eleger representantes para a Câmara Municipal de Manaus (CMM). De acordo com o delegado Fábio Pessoa, da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst) os criminosos, além de dinheiro chegaram a oferecer cachaça e drogas em troca de votos. 

Desde 2015, durante a operação La Muralla, investigações da Polícia Federal já haviam identificado a intenção de que integrantes de organizações criminosas tentavam inserir no meio políticos candidatos ligados às Orcrins. Em conversas telefônicas, líderes das facções já falavam sobre o assunto. 

No domingo, de acordo com o delegado da PF, Fábio Pessoa, foi atestado essa tentativa de que o crime organizado tinha a intenção de eleger seus candidatos para que pudessem ter influência. “É preciso que cada cidadão possa fazer uso do seu exercício da liberdade de expressão e denunciar esses crimes porque precisamos preservar a lisura do pelito”, informou. 

Manaus

Somente em Manaus, de acordo com Pessoa, foram registrados três casos de compras de votos, dois deles resultaram em atos de prisão em flagrante. Mas os crimes não foram identificados somente na capital. Infrações com as mesmas características também foram flagrados em Tabatinga, Manacapuru, Tefé e em Coari. 

O delegado informou que os criminosos não usaram somente o dinheiro na tentativa de compra de votos. A Polícia Federal identificou o uso de drogas, rancho e cachaça, que também foram usados como moedas para comprar o voto do eleitor. 

“A gente tem observado que o crime organizado que está comprando ou tentando comprar o voto, ele exige como prova da pratica dos crimes, a foto da urna com o voto que foi realizado. Assim ele vai pagar o voto que está tentando comprar”, informou Pessoa. 

Ao ser questionado sobre a influência do crime organizado na política, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) desembargador Aristóteles Thury, falou durante a coletiva, no último domingo, que não iria comentar sobre o caso.

Fenômeno

O fenômeno vem acontecendo em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, pelo menos 29 candidatos que concorreram a prefeituras e câmaras de vereadores têm algum tipo de suspeita de envolvimento com o crime organizado, segundo identificou um levantamento do jornal O globo. Destes, sete conseguiram se eleger e outros doze conseguiram votos suficientes para ficar na lista de suplentes de suas bancadas, mesmo sendo suspeitos de integrarem facções do tráfico, milícias e grupos de extermínio.

Do total, 23 são alvos de inquéritos, réus na Justiça ou condenados. Ao todo, 12 candidatos têm laços com milícias e grupos de extermínio; outros 19, com o tráfico. Em outros oito casos, filhos, irmãos, mulheres e amigos usam os nomes dos criminosos para se eleger.