Domingo - Manaus - 15 de setembro de 2019 - 22:18

MANAUS-AM

Réus de massacre de 2017 em presídios serão ouvidos a partir de outubro

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) denunciou 213 pessoas por envolvimento nas mortes. 

SIGRID AVELINO

Publicado em 2 de setembro - 13:54

O massacre de 2017 teve início no dia 1º de janeiro, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), logo após o horário de visita, 56 presos foram mortos.

Foto: Marcelo Camargo/EBC


Dois anos e meio após o primeiro massacre nos presídios de Manaus, ocorrido em janeiro de 2017, nenhum envolvido foi julgado. Na época, 64 detentos foram mortos de forma violenta em três penitenciárias da capital. O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) denunciou 213 pessoas por envolvimento nas mortes. Os réus devem ser interrogados nos meses de outubro e novembro deste ano, segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM). Três juízes vão se revezar nas audiências. 

O massacre de 2017 teve início no dia 1º de janeiro, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), logo após o horário de visita, 56 presos foram mortos. No dia seguinte, mais quatro detentos foram assassinados, desta vez na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Dias depois, alguns presos chegaram a ser transferidos para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa que estava desativada. No dia 08 de janeiro, outros 4 detentos foram assassinados.

Em 24 de novembro do mesmo ano, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) denunciou 213 pessoas por envolvimento no massacre orquestrado por integrantes da facção criminosa Família do Norte (FDN). Eles são acusados de homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas), tortura, vilipêndio de cadáver e associação para o crime.

Segundo o TJAM, a ação penal que trata das mortes no Compaj, já teve todas as testemunhas de acusação e defesa ouvidas. Os réus que estão em presídios federais serão ouvidos por meio de carta precatória. Aqueles que estão presos no Amazonas serão ouvidos presencialmente e por videoconferência.

Dos 213 denunciados, sete já morreram. São eles: Alessandro Bentes, Cláudio Dias Castro, Orlando Silva Teles, Roberto Gomes Trindade, Willames Rogério Silva de Menezes, Ivanilson Amorim e José Robson Picanço.  

Sobre as mortes, na UPP, a Polícia Civil do Amazonas solicitou uma extensão do prazo para tentar chegar à autoria dos crimes de Andrei Chaves de Moura Costa, Carlos Augusto Nascimento Galucio, Kevin Kline Silva Farias e de Paulo Henrique dos Santos Lagos.

Em relação às mortes ocorridas na Vidal Pessoa, o processo está em fase de instrução. Segundo o TJAM, as testemunhas já foram ouvidas, faltando o interrogatório de 18 acusados. 


Foto: Marcelo Camargo/EBC

Massacre de 2019

Em maio deste ano, mais um episódio de massacre em presídios de Manaus. Em dois dias, 55 presos foram mortos de forma cruel. Uma força tarefa da Polícia Civil (PC) investiga o caso. Três meses após a matança, 30 pessoas foram ouvidas, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP).

As mortes ocorreram nos dias 26 e 27 de maio, domingo e segunda respectivamente. Do total de detentos mortos, 15 foram no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), 40 foram assassinados em outras unidades prisionais, como: Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) e Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM).

Os depoimentos estão em andamento nos presídios. “São suspeitos de autoria das mortes e sobreviventes, que relatam como tudo ocorreu naquele dia”, disse o delegado e coordenador da força-tarefa Tarson Yuri.

A SSP informou que a PC já identificou mais de dez detentos responsáveis diretamente pelas execuções dentro das celas. Desde que os crimes ocorreram, os trabalhos acontecem em duas frentes: identificar quem ordenou e quem executou os homicídios. Até agora, 21 pessoas ligadas a uma facção criminosa foram presas em seis estados do país por ordenar as mortes.

A maioria dos autores já identificados é do CDPM. O Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) investiga as motivações do massacre. 

Em de julho, o DRCO deflagrou a operação “Guará” e prendeu 20 pessoas nos estados do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina. Segundo as investigações, os presos integravam uma organização criminosa e tinham envolvimento com o motivo da matança. 

Também em julho, a esposa do narcotraficante João Pinto Carioca (João Branco), Sheila Maria Faustino Peres, foi presa no Aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar para Barcelona. Segundo a polícia, Sheila também tem envolvimento com as mortes nas unidades prisionais.

A SSP informou que cinco inquéritos estão em fase de documentação.