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DIVERSÃO

Racismo e teste do sofá: Nova série da Netflix expõe Hollywood

Série em cartaz mostra como era Hollywood na era de ouro do cinema

REDAÇÃO TODA HORA

Publicado em 16 de mai - 08:25

Protagonistas constroem uma narrativa que expõe o racismo e a homofobia vigentes na época

Foto: Divulgação

Atualmente parece inconcebível que artistas façam teste do sofá ou que um filme seja cancelado apenas por ter uma atriz negra ou asiática em papel de destaque. Essas situações, porém, eram comuns no passado. E a minissérie Hollywood, que a Netflix lançou nesta sexta-feira (1º), escancara que a chamada "era de ouro" do cinema não era tão dourada assim.

Criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, dupla que tem no currículo os sucessos Glee (2009-2015), American Horror Story e American Crime Story, Hollywood se passa em 1947 e apresenta o sistema de estrelas vigente na época, no qual jovens atores assinavam longos contratos com os estúdios e eram milimetricamente preparados pelos executivos para ocuparem o papel de astros do momento.

O protagonista da trama é Jack Castello (David Corensweet, de The Politician), jovem que voltou da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e sonha em ser ator para provar à família e a si mesmo que pode ser alguém importante. Sem nenhuma experiência na atuação, ele aceita trabalhar em um posto de gasolina diferente --os frentistas não apenas abastecem os carros, mas fazem programas sexuais com os clientes.

Em sua primeira vez, Castello tem a sorte de ser abordado por Avis Amberg (Patti LuPone), mulher do presidente do fictício estúdio Ace Pictures. Com o apoio dela, Jack consegue um contrato e começa a sua escalada para se tornar um astro.

Hollywood também apresenta outras quatro promessas da indústria: o jovem diretor Raymond Ainsley (Darren Criss, vencedor do Emmy por American Crime Story), a atriz negra Camille Washington (Laura Harrier), o roteirista negro Archie Coleman (Jeremy Pope) e o ator homossexual Rock Hudson (Jake Picking).

Hudson, aliás, é apenas um dos personagens da vida real que se misturam à narrativa fictícia de Hollywood. O poderoso agente Henry Willson ganha a aparência de Jim Parsons (o Sheldon, de The Big Bang Theory), e estrelas da época como Vivien Leigh e Hattie McDaniel (ambas de ...E o Vento Levou) também dão as caras.

Homofobia

Por meio de seus cinco protagonistas, Ryan Murphy e Ian Brennan constroem uma narrativa que expõe o racismo e a homofobia vigentes na época - e que perduram até hoje, apesar de serem bem menos explícitas em um mundo politicamente correto.

Rock Hudson, por exemplo, é incentivado por Willson a manter sua orientação sexual no armário, sob a pena de destruir sua carreira para sempre. Isso embora o próprio agente e alguns dos principais executivos do estúdio também fossem homossexuais e forçassem seus futuros astros a prestarem favores na cama para subirem na vida.

Já o roteirista Archie e a atriz Camille sofrem para serem vistos além da cor de sua pele. Eles ganham um aliado em Raymond Ainsley, que decide dirigir um texto do novo colega e luta para escalar a namorada para o papel de protagonista, mesmo sabendo que isso geraria dezenas de protestos e até que o filme fosse banido dos cinemas nos conservadores Estados do Sul dos Estados Unidos.

A abertura da série, que mostra os personagens subindo longas escadas que os levarão ao topo do famoso letreiro de Hollywood, é uma boa metáfora do que a produção apresenta: a escalada repleta de obstáculos que pessoas com um sonho precisam encarar para se tornarem alguém na indústria do entretenimento.

Com reconstituição primorosa da época e um olhar surpreendente para o sistema de estrelas da era de ouro do cinema, Hollywood merece ser vista tanto por amantes da sétima arte quanto por aquele público que não aguenta mais ser vítima do preconceito, seja ele qual for. 

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